
Tem sempre um Leminski pronto para socorrer a gente quando não sabemos o que dizer. É só buscar na coletânea e encontramos algum poema que traduza a ideia que está lá em nossa cabeça, mas insiste em não tomar a forma que se deseja. É, veia poética não é pra qualquer um!
Bem, fui lá beber na fonte do poeta e encontrei algo bem de acordo com meu estado de espírito: mais que irreverente, abusado .
Razão de Ser
Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
(Paulo Leminski)