sábado, setembro 11

Buenos Aires, capital do Brasil

Pelo menos nesta segunda semana de setembro, a capital federal, como se referem os orgulhosos argentinos a Buenos Aires, estava mais para capital brasileira, para felicidade da indústria hoteleira e do comércio local. Pelas ruas, o português brasileiro com seus vários sotaques nordestinos, carioca, paulista, mineiro e outros fazia concorrência com a fala corrida dos portenhos. Nas lojas, à pergunta “quanto custa” os vendedores respondiam primeiro em reais, “apenas tantos reais”. Nos restaurantes, podia-se reconhecer os brasileiros de longe - os grupos que estivessem falando e rindo mais alto, satisfeitos por pagarem tão barato por uma carne de primeira com batatas fritas. É, arroz e feijão não tem, mas aí já seria perfeição de mais, né? Os argentinos são pacientes com a falta de educação dos brasileiros, afinal está entrando dinheiro. Mas agir como se estivessem na casa da mãe Joana, francamente, isso é coisa de marinheiro de primeira viagem, que está se achando só porque cruzou a fronteira. Me poupem.

I'm back

Estou de volta pro meu aconchego/ trazendo na mala bastante saudade/querendo um sorriso sincero, um abraço/ pra aliviar meu cansaço/ e toda essa vontade...

sábado, julho 24

Pra começar, um pouco de poesia

Quem melhor que o querido Leminski para interpretar o que vai na alma da gente? Não me lembro se já postei esse poema daí de baixo, mas sempre vale a pena reler. Viva Leminski!


Bem no Fundo

No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
(Paulo Leminski)

Por onde anda a escrevinhadora?

Nossa! Logo logo vai fazer dois meses que desapareci daqui. Que vergonha!
O pior é que dei um olhada e descobri que a fonte está seca. O problema é comigo mesma, que furei um compromisso que tinha estabelecido. Aposto que
ninguém deu pela minha ausência, ninguém lê minhas abobrinhas mesmo.
Vou pensar em alguma coisa, vou pensar em alguma coisa...

sábado, junho 5

Sinal Fechado

Dia de lembranças melancólicas. A música de Paulinho da Viola foi composta em 1969 e acabou virando hino da ditadura, que instalou o medo e impediu a comunicação entre as pessoas, calando as amizades. A palavra de ordem era sobreviver, cuidar da própria vida, sem ter tempo para cultivar as amizades. Mais de 40 anos depois, a ditadura acabou, mas a metáfora da canção continua verdadeira. O sinal ainda está fechado para encontros. Os amigos ainda estão preocupados em buscar seu lugar no futuro. E o agora?


quinta-feira, junho 3

Haja pobreza de espírito!


Por força das circunstâncias, trabalho entre muitos narcisos. Nada contra pessoas com auto-estima no grau máximo, mas quando sua atitude se transforma em agressão aos colegas, perco a paciência. O problema é que elas – as tais narcisistas - só olham pro próprio umbigo e não estão nem aí para a existência e os direitos dos outros seres. A competição no trabalho as torna egoístas: na distribuição das tarefas, querem sempre escolher primeiro, os outros que fiquem com o resto. E quando alguém lhes diz alguma verdade, desnudando seus secretos interesses, aí é um deus-nos-acuda, viram bicho, perdem as estribeiras, botam a boca no trambone. O pior é que posam de gente do bem, gente piedosa. Pobres de espírito, isso, sim, é o que são. Na última semana tive que enfrentar duas dessas criaturas e fui forçada a lhes mostrar que o mundo não gira conforme sua vontade. Disgusting! Mas de vez em quando alguém precisa trazer essas colegas de volta à realidade. Pronto, falei!

domingo, maio 2

Feriado no sábado, ruas desertas?



Sexta-feira, seis horas da tarde. Ia receber a família para um vin d’honeur, daí resolvi ir ao supermercado comprar umas cositas para mastigar. Bem, parece que todos no bairro tiveram a mesma ideia porque tinha gente saindo pelo ladrão. Primeiro foi uma guerra para estacionar. Depois uma luta para encontrar um carrinho disponível. Parecia que tinham anunciado alguma catástrofe para os próximos vinte dias e o povo tinha corrido para comprar provisões. Nada disso: era fim de mês e véspera de feriado de primeiro de maio (logo no sábado, que pena), não tinha mais o que comer em casa, imagino. O pior foi enfrentar a fila do caixa depois: mínimo de quarenta minutos, sem direito a reclamação. Pensa que acabou? Que nada, o trânsito estava uma loucura! Como são pacientes e educados os motoristas desta cidade! E em especial deste bairro, Jardim da Penha. Aliás, o trânsito aqui é um caso à parte. Nas rotatórias, quem vem na pista da esquerda quer entrar (e entra!) na rua da direita. Nas pracinhas (ai, as pracinhas!), há pelos menos quatro faixas para pedestres, então é preciso atenção redobrada para não atropelar ninguém: as pessoas vão atravessando, cheias de orgulho, se sentindo cidadãs que podem atravessar as ruas em passo de tartaruga, que os motoristas esperam cal-ma-men-te. Tão calmos, que mal avistam um pedestre vindo em direção à faixa, mesmo que faltem ainda uns dez metros, já freiam para esperar que elas cheguem ao meio fio. EITCHA! Daí vem mais outra, mais outra, mais outra... e mais uma bicicleta, mais duas motos... Ai, como são civilizados motoristas e pedestres, em Jardim da Penha, em sua convivência exemplar!